• A primeira questão que me veio à cabeça quando soube que estava grávida.
  • A primeira questão que me veio à cabeça quando soube que estava grávida.

     

    Imagino que a forma como recebemos a notícia de que vamos ser mães varie muito de mulher para mulher. Talvez exista algum padrão, algumas questões básicas que surgem mais rapidamente do que outras, mas a forma como vivemos e sentimos esse momento é de facto muito única, muito própria, muito nossa. Às vezes é uma notícia que surge depois de algum tempo de espera, torna-se por isso uma concretização muito desejada, outras vezes é uma notícia que surge de forma inesperada e pouco programada, outras ainda é antecedida por outras notícias idênticas que não tiveram depois a concretização esperada, como vos contei que me aconteceu neste primeiro artigo, e por isso entre ansiedade e decisões de como gerir o momento nem sempre há espaço para grandes celebrações.

    Algumas vezes dei por mim a pensar qual a primeira pergunta que surge normalmente na cabeça das mulheres quando descobrem que estão grávidas. A primeira dúvida, a primeira preocupação. No meu caso houve realmente uma questão que me assaltou imediatamente a cabeça e que me fez também tomar desde muito cedo uma decisão que acabou por se tornar essencial para viver este assunto na gravidez de forma serena.

    Sempre fui uma pessoa com uma relação “difícil” com a comida. Adoro comer, mas sobretudo gosto das ditas “porcarias”. Não é tanto um problema de quantidade mas sim de qualidade. Para terem uma ideia na lista de pratos preferidos que era capaz de comer todos os dias está uma boa massa cheia de queijo (sim esta é mesmo a versão mais saudável do que eu gosto), uma bela pizza, um menu daquele sítio super conhecido de fast food que tem por base um hambúrguer cheio de molho, comida mexicana.. e claro sushi.. Mas se por um lado sou muito fã de sashimi, não dispenso numa ida ao sushi os fritos e os rolinhos carregados de arroz (escusado será dizer, arroz empapado em açúcar! Perdoem-me!). Ah. E faltou aqui aquilo que mais gosto no mundo! Batatas fritas. Pronto, estão a ver o cenário todo?

    Então é isso.. Gosto de comer, não de comer muito mas de coisas que fazem mal, há muitos anos que me privo desta lista que enumerei em cima, de forma assídua. Não sempre, mas muito de vez em quando lá comia alguma dessas coisas. Se não a tendência que sempre tive para engordar desde que nasci teria sido multiplicada vezes cem e claro a minha saúde estava mesmo pelas ruas da amargura. Pronto aquilo era só uma wishlist num mundo ideal em que nada daquilo engordava nem fazia mal à saúde. A acrescentar a esta wishlist penosa, sempre tentei compensar alguns disparates na alimentação ao longo da minha vida com jejuns, nalguns dias chegava a saltar refeições para compensar outros que comia mais e por isso toda esta questão da alimentação, além de um motivo de confusão enorme é de facto um assunto que me deixava muito nervosa numa eventual gravidez.

    Antes de engravidar mudei completamente os meus hábitos de alimentação. Como sou acompanhada por um médico de medicina alternativa, a primeira coisa que me obrigou foi a fazer escolhas mais saudáveis para a minha vida a começar pela alimentação e a verdade é que o meu corpo se ressentiu de forma muito positiva. Estes bons hábitos surgiram obviamente numa altura fulcral em que preparava o meu corpo para receber um bebé e já ganhava balanço para esta gestão na gravidez. Confesso que há muitas coisas saudáveis que adoro, mas na maioria são crus. Ceviches, tártaros, carpaccios, Poke Bowls.. esta era a minha “fast food saudável” que me dava tanto ou mais gozo comer que a lista que mencionei em cima, mas claro, tudo isto é proibidíssimo na gravidez, pelo que ganhava ali uma nova dor de cabeça.

    Já que toquei neste assunto, partilho convosco que hoje depois de ter lido bastante sobre estes temas e de ter passado por esse processo de sanear o meu corpo antes de engravidar com uma alimentação muito mais cuidada, fazendo escolhas que privilegiavam os legumes, saladas, sopas, com a maior quantidade de ingredientes biológicos, reduzir um consumo de lactose, do glúten, trocar o arroz e a massa branca por integral, descobrir alguma variedade nos legumes e mesmo nos hidratos, por exemplo recorrendo à batata-doce, quinoa e cous cous, entre outros. Senti realmente muita diferença no meu corpo e se por um lado acho que ter esta consciência é muito importante por outro sou zero fundamentalista e contínuo a achar que tudo em exagero não faz sentido nenhum, pelo que não cortei absolutamente nada na minha alimentação.

    Mas vamos ao que interessa. Agora que já têm um bocadinho o meu historial sobre este tema talvez seja óbvio que a primeira questão que me surgiu quando soube que estava à espera de bebé se prendia com este assunto. E agora? O que é que eu como? O que preciso para alimentar de forma saudável e variada este bebé? Que quantidades devo comer? O que não posso mesmo comer? O que será uma alimentação equilibrada na gravidez sem me encher de comida desnecessária que me faça engordar de forma descontrolada e desnecessária?

    O meu medo era mesmo comer a menos e não a mais, não ingerir o suficiente para dar uma alimentação equilibrada e suficiente ao bebé. Quando temos medo de comer a menos acabamos a comer a mais, de forma completamente descompensada e desnecessária e por isso tinha mesmo de conseguir fazer um plano e programar os próximos meses, sendo que todos seriam diferentes e em cada um haveria necessidade de alimentos específicos.

    Como este tema me tirava realmente o sono, a primeira decisão que tomei (na verdade estava tomada muito antes de estar à espera de bebé) foi a de que seria seguida a gravidez inteira por uma nutricionista. Fiz mil dietas de todas as formas e feitios a vida toda, umas resultaram mais do que outras. Neste caso queria alguém que me compreendesse, que me fizesse um plano alimentar saudável e que me supervisionasse erros possíveis e me obrigasse a não descarrilar nem para um lado nem para o outro. Acabei por ligar à Ágata Roquette (ela vai-me matar quando souber que escrevi isto. Ahahah, este post não tem qualquer cariz de publicidade, mesmo, só achei que fazia sentido mencioná-la!) uma vez que ela já me tinha acompanhado numa fase muito importante da minha vida e temos um entendimento e empatia muito grandes. Juntas definimos o que era importante cumprir à risca, sobretudo não falhar as horas de comer (depois corroborado também pela minha obstetra), tenho um lanche de duas em duas horas, uma alimentação variada e com hidratos todos os dias, tanto ela como a minha obstetra libertaram-me dos hidratos à noite, reforçaram a importância de introduzir a fruta de forma assídua na minha alimentação (um hábito que perdi quando saí da asa da minha mãe) e sobretudo sublinhou (aqui também corroborado pela minha obstetra) que na gravidez apenas precisamos de ingerir mais 200/300 calorias do que o habitual.

    Esta organização deixou-me muito mais descansada e serena em relação a este tema, revelou-se uma ajuda fulcral para me sentir segura e a conseguir controlar um eventual descontrolo que me possa surgir a dada altura da gravidez.

    Na escolha do que como todos os dias tento mesmo variar o mais possível nos alimentos, escolher legumes diferentes, hidratos de carbono variados e uma gestão do tipo de carnes (predominância de brancas) e de peixe que como. Brevemente prometo um artigo mais aprofundado de como está a correr este tema, como tem sido a relação com a balança e que alimentos me sabem melhor ou pior.

    Quanto a vocês? Qual a primeira dúvida que vos surgiu quando souberam que iam ser mães? Quero saber tudo!!!

    2 Comments

    1. Gracinha Magalhães
      23 Agosto 2019 / 7:44 pm

      Olá p aqui gravida de 9semanas.. e.. qd descobri o baby a board.. essa foi exatamente a mha preocupação! E sim.. tb preparei o meu corpo para a gravidez.. comecei a treinar regularmente ha 3 anos e nos ultimos 2 q alterei a alimentacao.. mas um histórico de problemas de comportamento alimentar, associado ao stress do trabalho p vezes fazem me exagerar .. nao na qualidade dos alimentos pq adoro legumes, nao me perco p fritos e porcarias o q ajuda mto, mas sim na quantidade… e nas azeitonas e no queijo antes do jantar.. ate agora td equilibrado e c peso igual mas sei q a partir de agora terei d aceitar q o peso vai mudar.. e sim.. a considerar apoio da nutricionista. Felicidades!!!

      • inesfolque@gmail.com
        Autor
        26 Agosto 2019 / 4:56 pm

        Olá Graça! Muitos parabénsssss!!! Que bom!!! Mais bebés de 2020 😉 confesso que no meu caso estava mais preocupada por comer a menos do que a mais.. ahaha.. tinha mesmo muito medo de comer menos do que devia e pouco variado para as necessidades.. daí ter decidido ir à nutricionista, até porque quando temos medo de comer de menos começamos a comer demais para contrariar e perdemos a noção do que é realmente necessário! Um grdbj e que corra tudo bem na gravidez!!!

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