• A Importância e a ansiedade da ecografia das 12 semanas 
  • A Importância e a ansiedade da ecografia das 12 semanas 

    Desde que soube que estava à espera de bebé houve logo uma primeira data desta aventura que marquei na agenda, era a da ecografia das 12 semanas.

    Lembro-me de ir contando os dias e numa primeira fase pareceu-me uma eternidade chegar lá.

    Sabia pouco sobre a eco das 12 semanas. Sabia que passar essa fase tirava-me do período de maior vulnerabilidade da gravidez. Sabia que a maior taxa de abortos espontâneos acontece exatamente no primeiro trimestre e que mesmo não ficando totalmente excluída essa hipótese nas semanas seguintes, a probabilidade de acontecer algum imprevisto desce muito depois desse dia.

    É também a primeira ecografia que permite despistar e apurar a probabilidade do bebé poder vir a ter problemas e aquela que nos mostra pela primeira vez o bebé com uma imagem mais perto daquilo que será. Abandona aquele aspeto de girino e ganha um aspeto mais humano.

    Apesar de não estar em idade de gravidez de risco a minha médica pediu-me que fizesse o rastreio pré-natal – rastreio combinado do 1º Trimestre.

    Sabia zero deste exame. Depois fiquei a perceber que é um rastreio precoce, que tem por objetivo avaliar o grau de risco para a existência no feto da Trissomia 21 (Síndrome de Down), Trissomia 18 (Síndrome de Edwards) e Trissomia 13 (Síndrome de Patau). Consiste na combinação de informação do exame ecográfico (eco das 12 semanas) com um exame bioquímico (análises ao sangue).

    Então uma semana antes da ecografia fui fazer as devidas análises, esperei pelo resultado e no dia da ecografia levei-o comigo, uma vez que seria o meu ecografista a realizar o relatório final, depois das medições feitas durante a ecografia.

    Escusado será dizer que assim que recebi os resultados das análises os abri e fui ao maravilhoso mundo da internet pesquisar a melhor forma de os interpretar. Posso dizer-vos que em cinco minutos me passaram as mais variadas hipóteses pela cabeça, o meu coração disparou de nervos e por alguns segundos achei que ia ter uma paragem cardíaca. Sim eu sei. Quem me manda ir à internet tentar interpretar resultados que não têm interpretação possível de forma isolada. Lá encontrei essa informação num site qualquer e resumi-me à minha insignificância nos dias seguintes aguardando ansiosamente o dia da ecografia.

    Por isso se forem como eu, demasiado curiosas para praticar a paciência, deixo aqui o conselho de amiga, não percam tempo a tentar perceber os resultados do exame bioquímico deste rastreio, o mesmo só tem interpretação possível após as medições no dia da ecografia.

    A noite antes da ecografia não dormi nada. Juro (eu sei.. r i d í c u l a!). Acho que finalmente depois de ver 1.997837388893 episódios de variadíssimas séries, por volta das 5 da manhã lá me consegui deitar. Às 7:00 acordei para a 503838 ida à casa de banho e já não consegui voltar a dormir. Pronto dormi duas lindas horas.

    Tínhamos a ecografia marcada para as 11:15 e a essa hora lá estávamos os dois (eu e o Gonçalo, meu marido) na sala de espera. Com um riso nervoso e a aguentar a ansiedade, para saber todas as boas notícias que queríamos ouvir.

    Assim que me deitei na maca para a ecografia o médico avisou-nos que não ia dar palpites sobre o sexo do bebé. Que ainda era cedo para ter certezas e que nesse dia nem se iria preocupar com isso. Lembro-me de ter pensado que essa era a última das minhas preocupações naquele momento.

    Dei a mão ao meu marido e fiquei a observar o médico em silêncio enquanto ele me ia explicando o que estávamos a ver e as medições que ia fazendo. O primeiro suspiro de alívio foi quando assim que ligou o ecógrafo vi na imagem o bebé a mexer-se cheio de quereres e ouvi o coração a bater. Foi uma emoção, que não consigo explicar por palavras, vê-lo já com traços de bebé e cheio de vida.

    Uma vez que já tinha realizado uma ecografia no mês anterior em que tinha sido confirmada a gravidez, verificado o estado, tamanho e localização da bolsa gestacional (intrauterina, portanto excluindo a possibilidade de gravidez ectópica). Já tinha tido oportunidade de ouvir o coração (presença de batimento cardíaco fetal), também me foi confirmado nessa primeira ecografia que não ia ter gémeos (sim foi uma das minhas primeiras perguntas, logo após saber que estava tudo bem 🤣🤦🏻‍♀️!!!) e ainda feita a determinação da idade gestacional, através das devidas medições do tamanho do feto e uma aproximação da data do parto.

     

     

    Nesta ecografia estava mais focada em saber que o bebé se estava a desenvolver de forma saudável e dentro dos tempos certos. Fiquei depois a saber, que nesta fase faz-se um rastreio de cromossomopatias através do estudo da anatomia fetal e mediante a análise das principais estruturas do bebé. Os ossos e os órgãos. Faz-se também avaliação de outros marcadores de cromossomopatias tais como presença de osso nasal, medição de ducto venoso e ainda se verifica se há regurgitação da válvula tricúspide.

    Com ajuda do exame bioquímico e com as medições necessárias também é neste dia que se determina o risco para trissomias 21 (ou Síndrome de Down), com base na medida da translucência da nuca e na minha idade.

     

    Escusado será dizer que ainda hoje percebo muito pouco destes nomes complicados e que nos limitámos a ouvir com muita atenção o que nos dizia o ecografista e que sobretudo estava focada nos resultados que me ia dando em cada uma das questões que abordava.

     

    A meio da ecografia tivemos de interromper (aguenta coração) porque o bebé não estava a permitir medir a translucência da nuca – devido às posições e movimentos rápidos que fazia. O médico pediu-me que fosse comer uns mini palmiers e um sumo de pêssego pois ajudaria na reação necessária para poder acabar as medições todas desse dia. Pedirem-me para comer palmiers? Como dizer não 🤷🏻‍♀️🤷🏻‍♀️!!!

    Voltámos para dentro e evidentemente o feijão rebelde que habita dentro de mim deixou-nos concluir a ecografia com todos os dados que precisávamos.

    Senti-me outra vez nos exames nacionais. Mas este passámos com distinção e não podia estar mais feliz.

     

    É um alívio chegar ao fim desta ecografia com a certeza que tudo caminha na direção certa. Perceber que temos já um bebé cheio de vida, que nos brindou com uns movimentos muito engraçados durante a ecografia e me fez chorar de emoção.

    Que o risco calculado pelo rastreio para despiste de trissomias era muito baixo e que as medições relevantes do bebé à data estavam perfeitas.

    Senti que tinha fechado uma etapa muito importante para acalmar o coração, mas desconfio que sempre que houver consulta lá irei eu com o coração apertado e poucas horas de sono em cima.

     

    Dizem que é o princípio de sermos mães. Nunca mais nos deixaremos de preocupar e de querer o melhor para os nossos filhos.

    2 Comments

    1. Ana
      4 Agosto 2019 / 10:05 pm

      Olá Inês,é incrivel ao ler as tuas palavras senti quase como se fossem minhas.Esta semana também fui fazer a eco das 12 sem e descrevo o momento tal e qual como descreves te o teu.
      Há 2 anos q estava a tentar ser mãe, no inicio deste ano tive a felicidade de conseguir e infelizmente perdi.Estar gravida novamente, ter conseguido ver o feijaozinho ja tão grande e com tanta vida foi um momento maravilhoso pelo qual também ja ansiava imenso.Proxima etapa, conseguir,mais concretamente,identificar os movimentos do bebé,certo?beijinhos de mamã p mamã

      • inesfolque@gmail.com
        Autor
        26 Agosto 2019 / 4:54 pm

        Ohhh que boa notícia Rita 😉 é mesmo especial essa ecografia das 12 semanas, foi muita emoção e este meu feijão andava para lá aos saltos todo contente!! Um grande beijinho e um resto de gravidez com tudo de bom!!

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